A verdade é que para além de deter o momento preciso que por ter ficado na chapa jamais passará (até ao dia), a fotografia abre esta possibilidade de voltar aos "filmes", à reportagem então feita e abrir o baú, ver o que ainda não tinha visto e tirar lá de dentro mais estes fogachos de vida passada, que vamos conseguindo apanhar.
Com uma fotografia podemos não só agarrar o momento como prolongá-lo, prorrogá-lo, formá-lo. Pegar no instantâneo e revisitá-lo, com outros olhos, com um outro olhar. A fotografia vai sempre além do clic, porque esse momento apesar de fundador e limitador, acaba por permitir toda uma sequência de acontecimentos que em vez de o cristalizar numa chapa, o eterniza no olhar de quem o contempla.
A fotografia não consta da listagem das artes, da primeira à sexta, que ainda vai à sétima e nem sei bem se fica por aí. A fotografia capta o momento. Agarra-o, não o deixa escapar. A fotografia não consta de lista nenhuma mas tem a arte de cristalizar o momento e de não só o partilhar com outros o que se passou, como também para quem fez o clic poder revisitar o momento que se escapou.
Adenda. Passou por aqui um leitor atento que atentou e bem que afinal a fotografia é arte. Com honras de 8ª. E ainda vai à 9, com os comics. Obrigado Nuno L!
Imagem de rosto do 'Mar me quer' cedida por Bernardo SC
Chapas
Inhaca - Namaacha, Moçambique 2001
Namaacha, 2001 (AVP) e (Ingrid)
Ilha de Moçambique (AVP) e Pemba, 2002 Moholoholo, África do Sul, 2005 (AVP)
Murchison Falls, Uganda, 2006
Murchison Falls, Uganda, 2006
Entebbe, Uganda, 2006
Eu, há muitos anos
Pemba 2002 Momemo 2003 (Moçambique) e Gambozinos 2005 (Ponte de Lima)